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domingo, 29 de maio de 2011

Valorização ao redor do mundo: PORTUGAL: Quase 40 por cento dos idosos passam mais de 8 horas sós


Estudo relata que portugueses passam horas e horas sozinhos, em vez de terem uma intervenção na sociedade e serem aproveitados para ajudar

Quase 40 por cento dos portugueses a partir dos 65 anos passam oito ou mais horas dos seus dias sozinhos. “A solidão dos nossos idosos é assustadora”, constatou Anabela Mota Pinto, uma das autoras de um estudo nacional que define o perfil de envelhecimento da população portuguesa, da autoria de médicos da Faculdade de Medicina de Coimbra, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa da Universidade Nova de Lisboa. O estudo envolveu 2672 indivíduos com mais de 55 anos ainda autônomos e a viver a sua casa.

TRISTES E SÓS

Cerca de 25 por cento dos inquiridos com mais de 65 anos vivem sozinhos, mas são bastantes mais as pessoas desta idade (36,5 por cento) que passam os seus dias sós durante oito ou mais horas por dia. Quase 20 por cento afirmam que se sentem tristes ou deprimidos. A coordenadora do estudo, Catarina Oliveira, afirma que a grande conclusão da investigação, é a de “que estão tristes e sós”.

BONS ÍNDICES DE AUTONOMIA

O estudo demonstra que os inquiridos mantêm bons índices de autonomia (cerca de 80 por cento não precisam de ajuda nas suas tarefas diárias) e “boa cabeça” (só 5,8 por cento dos analisados tiveram uma avaliação cognitiva “desfavorável”), mas, depois, “passam horas e horas sozinhos”, em vez de terem uma intervenção na sociedade e serem aproveitados para ajudar.

SOLIDÃO AFETA MAIS AS MULHERES

As mulheres inquiridas 40,5 por cento de grande parte do seu tempo (oito ou mais horas) sem companhia. Nos homens, essa percentagem baixa para os 26,2 por cento, consequência de uma esperança de vida maior no feminino. Apesar de viverem mais tempo, os dados mostram que as mulheres vivem pior: estão mais sozinhas, têm menos anos de escolaridade, mais problemas de locomoção, mais propensão para quedas, pior saúde física e emocional e saem-se pior na avaliação cognitiva. Em contrapartida, mantêm-se mais autônomas face aos homens.

HÁ MAIS DE 25 MIL IDOSOS EM RISCO

Mais de 25 mil idosos vivem em Portugal numa situação considerada de risco, sem qualquer apoio de retaguarda. A maioria nas grandes cidades, nomeadamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Dados da Segurança Social apontam para a existência, no nosso país, de 630 mil pessoas que vivem sozinhas, das quais 390 mil têm mais de 65 anos. Destes, seis a oito por cento, ou seja, 25 a 27 mil, não conta com qualquer tipo apoio.

LISBOA ENVELHECIDA

LISBOA
Um estudo sobre a população de Lisboa indica que 36,6 por cento dos agregados são constituídos por pessoas com mais de 65 anos. E em 15,9 por cento das situações vivem sós. Trinta e um por cento dos inquiridos a partir dos 75 anos não frequentam o comércio local e 19,9 por cento não estão com a família e amigos. O isolamento dos mais velhos fica, também, a dever-se às condições de habitabilidade. As pessoas com 85 ou mais anos são quase 200 mil em Portugal, quatro vezes mais do que há 40 anos. Foi, sobretudo a partir da década de 1990 que o peso deste grupo etário aumentou, sendo que tem proporção cada vez maior na população portuguesa. E “quanto mais velhos mais isolados estão”, revelam os estudos. Os idosos representam 17,5 por cento da população portuguesa. Atualmente, existem 118 idosos por cada cem jovens.

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